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Moura a gostar da sua música e dos seus músicos: José Ferreira

24 Junho de 2014

Moura a gostar da sua música e dos seus músicos continua com a cabeça na mesma nuvem. A nuvem da música electrónica.

Continua também sob o clarão dos projectores que desfazem as sombras da noite e expõem o claustro do convento do Carmo até aos recônditos mais ocultos.

O cruzamento dos dois focos de luz encontra o músico convidado, José Infante Ferreira, à espera do sinal do Tiago para avançar. Silêncio. Claquete. Música.

Ao silêncio monástico sucedem-se ecos, ressonâncias, reverberações, que, por instantes, convocam até nós os passos dos cavaleiros de  S. João de Jerusalém sobre este mesmo chão há mais de oitocentos anos. Se aqui estivessem, juntar-se-iam à rave ou será que nos mandariam para os quintos do inferno com o fio das suas espadas?

Rimos para dentro com a primeira hipótese e estremecemos por fora com a segunda tal qual a borboleta que agora bate as asas, atraída pela luz, e solta ondas de choque no delicado equilíbrio de forças da noite.

Depois do arroubo, fica o calor no ar, que não combina com a fonte seca do claustro.

O que vale é que temos encontro marcado com umas imperiais no cimo da avenida.

Filipe Sousa

 

Ficha Técnica
José Ferreira
Moura / Convento do Carmo// 23.00 // gravações
Música electrónica

Alinhamento
Klã

Realização
Tiago Pereira

Som
Telma Morna

Fotografia
ADCMoura

Produção
ADCMoura

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Taberna do Liberato

TABERNA DO LIBERATO, 2ª Rua da mouraria, 3

As mais antigas memórias falam da existência de uma cavalariça neste espaço. O primeiro alvará da taberna é concedido a Manuel Leal, em 1946. A partir de 1953, será taberneiro António José Condeça, mais conhecido por Cantarinho, que dará nome ao espaço durante muitos anos.

Foi um dos primeiros estabelecimentos a ter água canalizada na Mouraria, embora de um depósito abastecido por cantarinhos de água que o proprietário pedia aos clientes para trazerem da bica de Santa Comba. Daí o epíteto. Em 1971, a taberna passa para as mãos de José Manuel dos Reis. No ano seguinte, o taberneiro é Manuel Liberato Moita dos Reis.

Em 1989, sucede-lhe o filho, Jorge Carmo Teles dos Reis, que a torna um caso de sucesso no panorama da animação e restauração da cidade de Moura e arredores.

Trata-se de um espaço com um ambiente muito especial, onde se misturam petiscos com provas de vinhos, tertúlias com sessões de poesia, anedotas com cante alentejano e concertinas. A clientela é ecléctica e bem disposta, com personagens típicas do bairro e outras, por vezes, de bem longe, atraídas pela fama da casa. Algumas são figuras públicas, gente da televisão e da política, como atestam as fotografias expostas nas paredes da taberna.

Desdobrando-se em múltiplos papéis, o Jorge é bastonário da Ordem dos Taberneiros, dirigente do Moura Atlético Clube, animador turístico, divulgador das tradições, da gastronomia e das produções agro-alimentares, especialmente do tinto alentejano, e um embaixador de Moura sem igual, como prova a legião de fãs da sua página de facebook .

Além de vinho tinto e de comida, gosta de música, de animais, de ser mourense e de viver no bairro da Mouraria. Não gosta de coca-cola, de hambúrgueres, de comida que não tenha a ver com a gastronomia e a cultura tradicionais, e de… garrafas vazias.

Os seus olhos dizem que não é alentejano de coração mas de alma, porque o coração morre e a alma fica.

Filipe Sousa

Hotel Santa Comba.recepção
Hotel Santa Comba. fachada
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Hotel Santa Comba.4
Hotel Santa Comba
Hotel Santa Comba, bica de Santa Comba e casa das Nunes
Hotel de Santa Comba – sala de refeições
Hotel de Santa Comba – sala de refeições.3
Hotel de Santa Comba – sala de refeições.2
Vista d castelo de Moura e da bica de Santa Comba a partir da 1ª rua da Mouraria.1
Casa das Nunes (nº 4 da Rua da Vista Alegre)
Bica de Santa Comba e Casa das Nunes
Bica de santa Comba.3
Bica de Santa Comba.2
Bica de Santa Comba.1
Moura.Vista da banda de oeste.Duarte d’Armas, 1509.

Hotel Santa Comba

HOTEL SANTA COMBA, Praça Sacadura Cabral, nº 34 A

É o fonduq da Mouraria desde 2004, ocupando o primeiro andar de uma antiga residência senhorial que pertenceu aos morgados Cordovil.

Com o desaparecimento do último morgado, Francisco José Cordovil Caldeira Castel-Branco (1848-1909), a posse do edifício transita da família Cordovil para o casal Carapeto: Feliciana Carapeto e António José Lebre Carapeto.

Os irmãos José e António Pato são os proprietários que se seguem do conjunto edificado, cabendo ao primeiro a criação e gestão do hotel. Dispõe de doze quartos. Destaque para o tecto da sala onde são servidos os pequenos-almoços.

Além do hotel, constituem o imóvel os espaços comerciais do rés-do-chão: do Restaurante Intercontinental (início da Terceira Rua da Mouraria) à Barbearia Rola (nº 39 da Praça Sacadura Cabral).

O nome do hotel, relacionado com a bica de Santa Comba existente nas proximidades, alude à mártir cristã morta em França, na cidade de Meaux, no ano de 273: ao não aceitar renegar a sua fé nem desposar o filho do imperador Aureliano, Comba ou Columba acaba decapitada por sentença deste.

Uma série de acontecimentos miraculosos associados ao seu martírio contribui, a partir do século VI, para que o culto a Santa Comba se expanda por toda a Gália.

Daí estende-se à Hispânia, destacando-se, a partir do século VIII, como um dos elementos agregadores da resistência cristã à autoridade do califado de Córdova. O exemplo da mártir desperta outras Combas a abraçarem iguais histórias de heroísmo.

A mais célebre é vivida por uma monja beneditina do mosteiro de Tábanos, perto de Córdova, condenada à morte em 853 por desafiar a autoridade e religião islâmicas. O seu corpo decapitado lançado ao Guadalquivir é posteriormente encontrado intacto. E assim nasce a devoção a Santa Comba de Tábanos.

Em Portugal, encontramos variantes locais deste culto sobretudo a norte do Mondego, como Santa Comba Dão, Santa Comba da Serra ou Santa Comba de Basto.

Quanto a Moura, sabe-se que existiu, anterior a 1891, ano da reconstrução da bica, uma ermida consagrada a Santa Comba. No âmbito da campanha de obras da fortificação moderna de Moura (séculos XVI-XVIII), o templo foi demolido para dar lugar às casas do corpo da Guarda Principal, em frente à antiga porta do Carmo. O sítio é hoje ocupado pelo edifício conhecido por casa das Nunes (nº 4 da Rua da Vista Alegre).

Abastecida por uma das três nascentes que brotam no recinto do castelo de Moura e encimada pela estátua da mártir, a bica de Santa Comba situa-se no mesmo local do tanque recolector desenhado por Duarte d’Armas, em 1509 (ver Livro das Fortalezas, fac-simile do ms. 159 da Casa Forte do ANTT, fl. 9).

Filipe Sousa