O sucesso escolar das crianças ciganas depende do conhecimento no modo de lidar com as diferenças.

O receio de alguns pais ciganos que os seus filhos sejam vítimas de discriminação e o desrespeito pela cultura cigana são razões que condicionam a continuidade das suas crianças na escola. No quotidiano escolar, não raras vezes, observamos situações em que é evidente o choque de culturas, apesar de haver diálogo, aceitação da diferença e práticas multiculturais.

Sabemos que lidar com o campo emocional de uma criança é uma tarefa complicada, sobretudo para uma criança cigana porque para ela é difícil deixar a sua cultura da parte de fora da escola e absorver outra assim que inicia as aulas. No entanto, verifica-se que uma criança cigana se esforça quase todos os dias para ser socialmente aceite no seio da sua turma. É por isso, que os comportamentos diferenciados, as crenças e convicções das crianças ciganas devem ser alvo de uma profunda reflexão cujo foco se deve centrar numa cultura e vivência familiar e comunitária muito próprias.

Quando entram na escola, as crianças ciganas deparam-se com um mundo novo onde lhes são transmitidas normas culturais diferentes das do povo cigano. Encontram outras tradições que não são as suas. A educação da criança cigana começa na sua família e na comunidade, onde os hábitos enraizados têm um forte papel na estruturação dos comportamentos sociais. Na escola, estas diferenças culturais podem gerar alguns conflitos se professores e auxiliares não conhecerem a cultura cigana. Por isso, a escola tem de estar preparada para ir ao encontro destas normas culturais pelo que é de necessário facultar-lhes informação que acrescente valor na coordenação e consciencialização dos profissionais de educação.

É um facto que, em escolas frequentadas por um grande número de crianças ciganas, se percebe que a integração escolar e social é mais fácil de construir uma vez que o processo de ensino-aprendizagem recorre com frequência à pesquisa, à interação e adere a práticas multiculturais.

Não esqueçamos que o apego pela cultura e pelas tradições condiciona a perspectiva de alguns pais ciganos, que ainda consideram que a escola só é importante porque possibilita às crianças adquirirem a leitura e a escrita. Na sua perspectiva, a frequência da escola pelas crianças, pode levar à perda da identidade cultural do povo cigano. Mas, apesar de tudo, existem vários pais que vêem na escola uma oportunidade de evolução, de alcançar melhores condições de vida e aproximar-se da sociedade envolvente.

Poderá demorar algum tempo para que toda a comunidade cigana confie na escola e no seu corpo docente, no entanto, a construção de projetos sensíveis à realidade das crianças ciganas irão permitir uma maior confiança dos pais e da comunidade cigana.

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