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Os bairros de Moura, pelos alunos e alunas do 8ºC

“O meu bairro é o meu mundo”. Pelo menos era assim para todas a crianças em tempos já idos. Era nos bairros que elas se desenvolviam, brincavam e faziam as primeiras proezas fora da comodidade dos seus lares. Por excelência, o bairro estava instituído como o local onde se aprendia, onde se brincava e onde se conquistavam amizades de uma vida.

No final de cada dia (já com os trabalhos de casa feitos), nos fins-de-semana e nas férias escolares, as ruas dos bairros enchiam-se de índios e de cowboys montados em cavalos de paus, de polícias fortemente equipados com armas luminosas que caçavam ladrões (cujo crime ainda hoje não se conhece), de Eusébios e Péles com joelhos esfolados, de cozinheiras que faziam bolos de terra com erva e de mamãs de palmo e meio que entre espaços jogavam ao elástico e à macaca. Independentemente da “vocação” de cada um, todos tinha em comum um “mal nos ouvidos” que sempre os levava a ignorar a voz impaciente e zangada das mães que persistentemente os chamavam para jantar.

A imaginação destes exploradores e a vontade de novas descobertas era insaciável. Nada travava o seu ímpeto e resiliência para desvendar as histórias escondidas em cada recanto e “casa misteriosa” do seu bairro. Enfim, o bairro era para eles o centro do universo, recheado de detalhes ocultos que despertavam a sua imaginação e curiosidade, sendo simultaneamente o seu parque de diversões. Para os pequenos aventureiros a vida era isto mesmo: estudar nos tempos livres e viver explorando a vastidão do mundo misterioso que estava para lá da janela dos seus quartos.

Actualmente em muitos dos bairros, com especial enfoque nos das grandes cidades, as brincadeiras de rua estão em vias de extinção e o conhecimento que as crianças têm do sítio onde vivem é cada vez menor, contribuindo para em muito isso o pouco tempo livre que lhes resta, a insegurança das ruas, mas sobretudo as alterações ocorridas nos seus tradicionais hábitos de socialização e de aprendizagem, que hoje estão intimamente associados ao domínio da internet e das novas tecnologias. Contudo, acreditamos que exploração de qualquer bairro, por mais insignificante que nos possa parecer à primeira vista, continua a ser para uma criança o maior e mais fascinante desafio que se pode ter. Algumas delas interpretam-no ainda como o seu mundo, pelo menos em cidades com as características como aquelas que Moura apresenta: segura e de pequena dimensão. Aqui o bairro continua a assumir protagonismo na vida da maioria das crianças como o palco das grandes descobertas e aventuras.

Tentámos impulsionar a (re)descoberta dos principais bairros mourenses com um grupo de crianças da cidade, tendo como propósito de reforçar os seus laços identitários com o local onde vivem e “ver com os seus olhos” este encantador mundo. Incluímos por isso no projecto a acção “Como vejo o meu bairro”, cuja finalidade consistiu em levar as crianças a investigar os bairros onde habitam, com enfoque nos pontos de maior interesse e respectivas curiosidades, transcrevendo essas aprendizagens para papel, construindo percursos em mapas onde assinalaram as principais referências que descobriram. Para a posterioridade fica este trabalho para que vizinhos e não residentes tenham acesso a essa valiosa informação e possam por si próprios visitar esses locais, descobrindo os segredos que a nossa história encerra.

Este desafio foi lançado por nós lançado e gentilmente aceite pela prof. Lúcia Baptista, docente da Escola Secundária de Moura e por alguns alunos da turma do Turma 8º C, do Ano Lectivo 2012/13: Ana Barão, Ana Soares, Francisco Marques, Inês, Isabel, Manuel Barroso, Margarida Marques e Mariana.

Certamente que para estes alunos e alunas a iniciativa foi divertida e trouxe uma nova perspectiva relativa aos seus bairros, contribuindo esse facto para o estreitamento dos laços de afecto e conhecimentos do sítio onde moram e onde brincam!

Com a dedicação dos alunos e o apoio da professora, conseguimos um excelente trabalho. Aqui fica o resultado dessa aventura!

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