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Construção em terra: o futuro de um património + uma visão socioeconómica | 12 de Outubro, às 14.30h

Vive ou trabalha num edifício de terra, provavelmente de taipa, e já se questionou sobre a forma mais adequada para o conservar ou reabilitar? Quer aproveitar para conhecer algumas boas práticas de intervenção nestes edifícios? E, já agora, também boas experiências de inovação social usando a construção com terra?

Não deixe de participar nesta Oficina Temática, sábado, 12 de Outubro, das 14.30 às 18h, na sede da ADCMoura. Inscreva-se aqui, sem custos.

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A sessão será estruturada em duas partes distintas e complementares:

Parte 1 – Abordagem teórica e técnica do panorama da conservação dos edifícios em terra crua, nomeadamente de manutenção, patologias e intervenção;
Parte 2 – Visão socioeconómica e ética da construção com terra e seu potencial;

Descrição:
Parte 1
Uma parte considerável do património – popular e vernacular, mas não só – erigido em terra crua está, actualmente, em estado de degradação ou em risco de tal.
Intervenções de alteração ou de ampliação menos avisadas em edifícios antigos, alterações de uso ou função, ou a simples falta de manutenção estão na origem de um processo acelerado de desgaste, degradação ou mesmo colapso de edifícios seculares em terra crua.
Numa época em que ganha cada vez mais protagonismo o sector do património – não apenas o classificado, mas também o popular vernacular – e, por consequência, os campos de acção da conservação, da reabilitação e da renovação, é importante sensibilizar os técnicos, operários, proprietários, decisores e todos os actores do sector, no sentido de compreender as características e exigências dos edifícios em terra, desde a sua regular manutenção até à identificação e resolução se patologias e situações de ruptura e colapso.
Parte 2
Numa perspectiva socioeconómica, a construção em terra apresenta um enorme potencial no combate a alguns dos problemas das sociedades contemporâneas, nomeadamente no que respeita ao fenómeno alienante da globalização, à perda de identidade cultural e de conhecimentos técnicos endógenos, à precariedade da habitação de massas, à perda de qualidade de vida das famílias desfavorecidas, à estrangulação das economias locais, ou aos problemas ambientais e de gestão de recursos e resíduos.

Objectivos:
Parte 1
– Identificar as principais patologias dos edifícios em terra crua e compreender as suas causas e consequências;
– Identificar as características e práticas construtivas que podem originar essas patologias;
– Adquirir noções de metodologia de intervenção em edifícios em terra degradados;
– Compreender as boas práticas de manutenção para edifícios em terra;
– Compreendes as boas práticas de intervenções de alteração ou ampliação em edifícios em terra;
Parte 2
– Compreender o potencial contributo socioeconómico da construção com terra na problemática das sociedades contemporâneas;

Estratégias:
Parte 1
– Exemplos de edifícios com patologias e de intervenções;
– Apresentação de tipos de patologias e respectivas causas;
– Debate sobre alguns exemplos apresentados e/ou propostos no momento (eventualmente, pela plateia);
Parte 2
– Debate sobre o raio alargado de acção da actividade da construção com terra;
– Apresentação de casos de estudo – Mumemo, Moçambique / Jérémie, Haiti / Sobral da Adiça, Moura;

 

Animador da Oficina:

Miguel Ferreira Mendes (Lisboa, 1971) é um arquitecto que privilegia, nos seus projectos, uma abordagem bioclimática e a utilização de técnicas e metodologias sustentáveis e de materiais sãos, nomeadamente a construção com terra crua.

Licenciado pela Universidade Lusíada de Lisboa (1995), na opção de Reabilitação Arquitectónica e Urbana, foi bolseiro, ao abrigo do Programa Erasmus, na faculdade de Arquitectura do Instituto Politécnico de Milão (1992-93). Em 1995 obteve um Master’s Degree in Ecological Architecture, pelo Instituto de Arquitectura de São Francisco (EUA), em cooperação com a Biosphere2 (EUA) e a Fundação Convento da Orada (Portugal), onde executou as primeiras realizações de construção em terra crua. Obteve a especialização em Arquitectura de Terra (pós-master) na edição 2000-2002 do DPEA Terre no CRAterre – Escola de Arquitectura de Grenoble (França).

Em 1999 e 2000, integrou a equipa de projecto para a reabilitação do Castelo de Paderne – fortificação integralmente construída em taipa, no séc. XII.

Em 2003, foi um dos membros fundadores do Centro da Terra – associação para o estudo, documentação e difusão da construção com terra, que reúne muitos dos profissionais e académicos da área da construção com terra – organização da qual foi membro dirigente.

Desde 2005 tem desempenhado as funções de formador em diversas acções de formação para públicos genéricos e diferenciados – arquitectos, engenheiros, construtores, operários, particulares entusiastas, etc. – quer em Portugal quer no estrangeiro, e tem coordenado cursos, formações e obras de âmbito pedagógico de formação neste domínio, nomeadamente para populações de grupos de risco, visando a transmissão de conhecimentos e de competências, e o despoletar de mecanismos de auto-construção.

Escreveu vários textos e artigos sobre arquitectura e construção em terra e integrou o conselho editorial da obra de referência “Arquitectura de Terra em Portugal” (ed. Argumentum, 2006).

Realizou inúmeras apresentações e palestras em seminários e conferências em universidades, associações e outros organismos públicos e privados, em Portugal e noutros países, tais como Angola, Argélia, Cabo Verde, França, Haiti, Inglaterra, Itália e Moçambique.

Actualmente, é colaborador não-residente do laboratório CRAterre, enquanto perito enviado de missões no tema Habitat, do programa Arquitectura, Ambiente & Cultura Construtiva.

 

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