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O desenho saiu à rua, em Moura

 

Desenhar (em) Moura. O desenho urbano como ferramenta de valorização do património e de descoberta do mundo pelos mais novos. VER AQUI TODOS OS DESENHOS E FOTOGRAFIAS.

Em 2015 e 2016, centena e meia de crianças,dos seis aos doze anos, passaram pelo ateliê de desenho urbano da ADCMoura, inserido na programação das ATL de Verão da União de Freguesias de Moura e Santo Amador. Uma forma diferente de descobrirem Moura e exercitarem as suas competências artísticas. Como ferramentas e orientações, o essencial: lápis de grafite, folha de papel sobre suporte k-line (à falta de diário gráfico), canetas de feltro e lápis de cor facultativos, e algumas “dicas” sobre composição, perspectiva, dimensão, sombreados, cor…

Como inspiração: as figuras de Duarte d’Armas, debuxador ao serviço de D. Manuel I, provavelmente o primeiro urban scketcher português, e do londrino John Ruskin, que, entre outras facetas, foi escritor, pintor, viajante, crítico de arte, professor, paladino da importância do desenho na educação e felicidade dos homens, providos ou não de talento artístico.

Três séculos e meio separam estes mentores, a distância que vai do Portugal manuelino à Inglaterra vitoriana. Une-os a mestria e o gosto pelo desenho, apurados em digressões, quase sempre a cavalo!, com o propósito de documentar paisagens, pessoas, monumentos, povoações acasteladas, pormenores pitorescos da vida quotidiana…

Não a cavalo, mas deslocando-se pelo próprio pé pelas ruas de Moura, é confiada aos pequenos artistas mourenses de hoje a missão de apreenderem o “espírito do lugar”, tal como Duarte d’Armas quando por aqui passou há cerca de quinhentos anos, através do registo gráfico dos monumentos históricos e outros elementos da arquitectura da cidade, sem perderem de vista as coordenadas de Ruskin: parar para observar, abrir bem os olhos, concentrar-se e dar atenção aos pormenores, deixar-se encantar e desenhar livremente, por puro prazer, sem constrangimentos, sem preocupações de errar, vencendo o drama da folha em branco, primeiro um ponto, depois (ar)riscando um risco, um traço leve a lápis que fica mais grosso e escuro à medida que o desenho avança e se torna definitivo. Partilhar o resultado final e aprender com os outros. E começar de novo. Em suma, praticar muito. Sempre desperto para captar a beleza.

Filipe Sousa

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