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José Campaniço do Carmo

CESTEIRO

José Campaniço do Carmo nasceu em Safara e tornou-se, nos últimos anos de vida, fazedor de cestos a tempo inteiro, que “armava” no “casão da mó”, na rua da República,acompanhado do vizinho Francisco Branco, com quem partilhava a conversa diária e a limpeza das varas de oliveira.

Qualquer que fosse o cesto, começava por lhe tecer o fundo do modo que se explica. Cruzam-se oito pares de varas de burrico de oliveira, de seguida entrelaçados com fiadas torcidas de duas ou três varas do mesmo material. Cose-se cada volta à volta anterior, num movimento que avança do centro para a periferia, até se atingir o rebordo. Levantam-se as hastes estruturais e prendem-se com um atilho. A trama pode então prosseguir do fundo para as abas, segundo a mesma técnica em que as varas são cruzadas e alternadas. Ao tom cinza do pé de burrico, o artesão pode combinar o dourado da cana ou o castanho do vime ou do mosqueiro, num contraste cromático que confere grande beleza e singularidade. O pano do cesto é rematado com o debrum. Depois, consoante o uso da peça, acrescentam-se ou não a asa ou asas e a tampa. E tudo isto feito simplesmente com as mãos e com a ajuda de uma navalha para cortar as pontas sobrantes das varas.

Foi essencialmente este ritual, que começa com o “acareio” e “preparo” cuidadosos da matéria-prima, que encantou o José Campaniço a tornar-se cesteiro. Experimentou e tomou-lhe o gosto, a ponto de se “encigueirar” com a arte. Aprendeu-a num tempo em que o agricultor, o homem do campo, era também artesão e criador de artefactos para os mais variadíssimos fins e usos do dia-a-dia. Alguém que fazia da pluriactividade uma forma de vida e aí encontrava a chave da sobrevivência.

Filipe Sousa (texto e fotos)

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